Crítica infundada

O livro “O Abismo”, obra psicografada pelo médium R. A. Ranieri, por orientação do espírito André Luiz, infelizmente ainda é mal compreendido por muitos leitores do meio espírita kardecista. Li e reli este excepcional livro e sou sincero em afirmar que não encontrei nenhuma contradição, nada que viesse de encontro com os postulados da doutrina espírita cristã, muito menos da Bíblia. Já conversei com diversas pessoas espíritas e não-espíritas, palestrantes, filósofos, escritores espíritas e todos, sem exceção, foram unânimes em elogiar a envergadura desta obra primorosa, que exterioriza um mundo totalmente diferente do que imaginávamos deste a época da publicação da obra de Dante Alighieri “Inferno – A divina comédia”. Conforme se registra durante os capítulos de “O Abismo”, declaram os mentores espirituais que a obra de Dante foi deturpada propositalmente, o que seria uma revelação do inferno sem precedentes para aquela época.

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Para o espírita iniciante ou sem sólidas bases conceituais da doutrina Espírita, a obra de R. A. Ranieri talvez possa ser confusa e deveras incompleta, por tratar de assuntos e temas que fogem ao lugar comum, apresentando de forma crua e sem pudor o que se passa nas camadas inferiores do Umbral. Talvez até seja esse um ponto de crítica de muitos espíritas mal-acostumados em ler e ouvir apenas tons suaves de ensinamentos do mundo maior, circunscritos em centros espíritas habituados às rotinas que se perpetuam década após década batendo nas mesmas teclas em grupos fechados de pessoas que se acham “donas” das mensagens levadas ao púlpito. Um destes críticos ferrenhos pude conhecer através de um artigo publicado sem data, mas com título chamado “Orientação Espírita” com endereço eletrônico na Intenet: http://www.orientacaoespirita.org. Pois bem, o autor deste artigo, o Sr. José Passini, onde também possui uma página na Internet voltada para críticas literárias espíritas (http://aeradoespirito.sites.uol.com.br), fez ferrenhas críticas à obra do ex-Delegado de Polícia e médium R. A. Ranieri; ao se ler o artigo, fica o leitor na dúvida se a crítica é para com o espírito André Luiz, o médium R. A. Ranieri, a análise sintática ou morfológica da obra, uma vez que o Sr. José Passini é Doutor em lingüística com vasta experiência no meio acadêmico, ou a crítica é voltada para os autores e a mensagem da obra em si. Chega até a ridicularizar e querer alterar a ordem cronológica das frases do livro, como por exemplo:

Cap. 2 – Ao descrever o Espírito que seria seu guia nessa jornada, o faz de modo singular: “longos cabelos brancos, ligeiramente enrolados como se fossem cordas, desciam-lhe pelos ombros. Rosto enorme, redondo aquadradado sobre um pescoço taurino e peito descomunal.” Temos aprendido que o Espírito, à medida que se aprimora, suas formas se tornam cada vez mais harmônicas e belas…

“Olhei a Terra: ainda estava lá embaixo, perdida na vastidão do universo.” Depois o guia o esclarece, dizendo que estão “Entre as esferas do Sistema Solar, porém a uma distância de 325.000 quilômetros da Terra.” Sabe-se que a distância média entre a Terra e a Lua é de 384.000 quilômetros… Não teria sido mais fácil dizer que estavam entre a Lua e a Terra, se estivessem mesmo a essa distância. Mas o guia disse-lhe que estavam entre as esferas do Sistema Solar…

Então quer dizer que um espírito superior não pode ter um rosto de forma retangular Sr. Passini? Um espírito superior pode tomar a forma que bem entender, seja de rosto afinado ou não, cor e formato das vestes utilizadas em reencarnações passadas, etc.; Não se pode dizer que as entidades estavam a uma distância X da Terra, mesmo esta distância podendo ou não estar circunscrita entre a Terra e a Lua? Vossa pessoa pode ser doutora e PhD em letras, em lingüística ou seja lá o que for, mas querer dar aulas de física já é demais! Vejo que o Dr. Passini ainda não deixou de lado sua vocação docente e, cheio de pretensão como são os ex-reitores de universidades, querer corrigir obras advindas do alto. Talvez vossa pessoa não tenha mais o que fazer na vida terrena e quer matar o tempo colocando defeitos nas obras dos espíritos, hein Dr. Passini? Diga-me quais são suas obras publicadas para que eu possa adquiri-las, lê-las e também expor minhas críticas. Se caso minha pessoa não tiver capacidade para tal, sei quem as possui.

Realmente, não vou me estender em outros tantos pontos analisados absurdamente pelo Dr. José Passini, mas tinha que deixar aqui registrado no Blog deste irmão abnegado, dedicado que é em promover e divulgar conhecimentos espirituais através da grande rede que é a Internet, minha preocupação em contrapor idéias e pensamentos inócuos e sem fundamentos, apenas fazendo analogias em relação aos seus próprios conceitos íntimos e teórico-gramaticais. E em seu próprio site já denuncia sua postura em relação a quem produz obras e romances espíritas:

“Tendo consciência de que haverá aqueles que analisarão e darão a público sua apreciação sobre aquilo que publica, o autor, por certo, preocupar-se-á com o que diz, e como o diz, ou seja, com o conteúdo e com a forma.”
José Passini no artigo
ANÁLISE, APRECIAÇÃO, CRÍTICA

Por: Eduardo M. Serrano

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