Os tempos são chegados

Pergunta: – Quais as características fundamentais que denunciam o início desses períodos denominados “fins de tempos”?

Ramatís: – São as conseqüências nefastas dos desregramentos humanos e que ameaçam dominar toda a humanidade. O magnetismo inferior, gerado pelo atavismo da carne e pelos pensamentos dissolutos, recrudesce e se expande, formando ambiente perigoso para a existência humana disciplinada. São épocas em que se observa verdadeira fadiga espiritual; em que domina o desleixo para com os valores das zonas mais altas da Vida Cósmica. As energias primitivas, saturando o “habitat”, aumentam a invigilância, e o gosto se perverte; escapam aqueles que vivem, realmente, os postulados do Evangelho à luz do dia. Em conseqüência disso, as auras dos orbes também se saturam, até às suas fronteiras “astro-etéreas” com outros planetas, surgindo então as más influências astrológicas, que os astrônomos terrícolas tanto subestimam. Forma-se intenso oceano de forças magnéticas agressivas e sensuais, que se expandem e convergem num círculo vicioso cada vez mais perigoso à integridade espiritual daqueles que são devotados às coisas superiores. O mais débil pensamento licencioso encontra, então, farto alimento para se avantajar e influir melhor nos cérebros ávidos de sensações inferiores. O deletério conteúdo magnético do ambiente instiga às piores sensações, fazendo predominar o egocentrismo do mundo animal inferior; há insidioso e voluptuoso convite no ar e, em conseqüência, os seres obedecem facilmente a um comando pervertido, que os impele para os prazeres animalescos. Predomina a influência satânica e aumenta o gosto pelas sensações brutais e licenciosas; o clima físico torna-se campo propício para a sugestão perversa e destrutiva das forças das trevas. O denso lençol de magnetismo perigoso transforma-se em excelente campo de ação para as coletividades das sombras, que assim materializam os seus objetivos daninhos. Aceleram-se os conflitos entre os homens, e as guerras se transformam em pavorosos matadouros científicos; desenrolam-se acontecimentos espantosos, registram-se crimes indescritíveis e criam-se taras perigosas. Afrouxam-se os próprios liames do sentimento, que ainda permitiam a mínima moral possível!

Pergunta: – Mas esses “fins de tempos” devem constituir-se, propositadamente, de guerras, corrupções, alucinações e desesperos?

Ramatís: - Os Construtores Siderais, que criam os mundos sob a direção técnica da Suprema Lei, conhecem e prevêem, perfeitamente, as épocas psicológicas em que devem ocorrer os desregramentos periódicos de cada agrupamento espiritual reencarnado. Em conseqüência, as modificações físicas dos planetas se ajustam, hermeticamente, às purificações e retificações de suas humanidades, quando elas tendem para a insânia coletiva. Esse genial ajuste, previsto com incontável antecedência, tanto beneficia o orbe, que assim melhora o seu coeficiente físico e a sua posição planetária, como favorece aos seus moradores, que são então selecionados para uma existência mais harmônica. Lembra uma casa comercial às portas da falência, quando a Lei Jurídica intervém, para evitar maiores prejuízos ao patrimônio coletivo.

Não penseis que os “fins de tempos” devam chegar precedidos da “encomenda” de guerras, crimes, aviltamentos coletivos; esses acontecimentos apenas eclodem em momento psicológico, e habilmente controlados pelo Comando Superior! Os acontecimentos é que indicam o momento da eclosão, que se faz em sincronia com as modificações do mundo físico. A massa mental deletéria, que então se acumula – podendo chamar-se “cisco magnético” – sobre a crosta dos mundos físicos, tem que ser eliminada com certa urgência, antes que se consolidem a desarmonia e a enfermidade psíquica coletiva.

Pergunta: – Que idéia podemos fazer dessa enfermidade “psíquica e coletiva” entre os reencarnados?

Ramatís: – Assim como o bacilo de Koch não é criação da tuberculose, mas resulta do clima psíquico doentio, que produz uma espécie de “humus mental”, capaz de densificar o campo nutritivo para o micróbio se materializar, na sua ansiedade de viver, o psiquismo coletivo e desregrado da humanidade também produz uma atmosfera “vital-deletéria”, em torno do seu globo, que serve de excelente alimento psíquico para que as coletividades famélicas, dos Espíritos das trevas, encontrem ponto de apoio para o intercâmbio das energias pervertidas.

O médico terrícola assinala, na técnica terrena, a proliferação dos bacilos de Koch, que encontraram a nutrição favorável para aumentar a sua progênie; os Mentores Siderais prevêem, no cientificismo cósmico das trocas planetárias, a proliferação patológica dos Espíritos daninhos que se desenvolvem no terreno mental desregrado, da humanidade, em tempo profetizado.

O astral dos mundos contaminados pelas impurezas mentais dos seus habitantes transforma-se em contínua fonte alimentícia das expressões inferiores, como as larvas, miasmas, elementais e formas horrendas, além de invisíveis colônias de bacilos psíquicos, que se angustiam para se materializar no meio físico. Essas forças microgênicas, deletérias, tornam-se um elo-vivo, um traço de união entre o mundo imponderável, do astral, e o mundo objetivo da matéria. Com o auxílio dessas forças, as entidades das sombras podem operar com êxito, ajustando-se e encontrando sintonia na mente dos reencarnados; apossam-se do pensamento humano, pouco a pouco, compelindo-o aos mais devassos misteres e às mais cruéis hostilidades.

O ambiente mefítico torna-se excelente veículo para eles; idealizam e concretizam diabólicos festins de dores e de sensações lúbricas; mesmo os espíritos mais fortes não resistem, por vezes, às exaustivas provocações e seduções que lhes endereçam os adversários desregrados do Além! Enfermam, até, nesse desequilíbrio coletivo, sob as forças tenazes e satânicas, que anulam os pedidos de socorro aos céus!

Assim como os quadros mórbidos da tuberculose vão afetando o organismo do doente, pela multiplicação dos bacilos, a grande quantidade de almas endurecidas, que se debruçam e se alimentam sobre o vosso mundo, também vos pode prejudicar coletivamente, criando um panorama de enfermidades perigosas para a integridade do organismo moral e espiritual da Terra.

Pergunta: – Se examinarmos o passado, verificaremos uma multiplicidade de fatos e de desregramentos humanos, tais como guerras, corrupções e aviltamentos, como ocorreram na própria Roma, que comandava a civilização do mundo, sem que isso indique terem sido conseqüentes de “fins de tempos”. Que nos dizeis?

Ramatís: - É necessário notardes que esses acontecimentos desregrados comprovam que se processou naquela época a intervenção corretiva do Alto, espécie de “castigo para os pecadores”, expressão muito familiar na linguagem sacerdotal humana. Roma resgatou os seus desregramentos sob as hostes dos bárbaros de Atila, lembrando a terapêutica das vacinas; os romanos sofreram o corretivo das mesmas paixões orgíacas que haviam feito desencadear nos seus desregramentos coletivos!

Sodoma e Gomorra, destruídas devido à impudicícia dos seus habitantes, dão provas de intervenção espiritual; Herculano e Pompéia, sufocadas pelo Vesúvio, desapareceram no auge da devassidão, que se tornava já perigosa à integridade dos povos vizinhos. Comumente os vossos jornais noticiam terríveis tragédias coletivas, em que se destroem aldeias e se mutilam regiões prósperas, fazendo sucumbir multidões indefesas. Muitas vezes trata-se de decisão formal dos Mentores desses povos, que assim procedem para melhor salvá-los do franco desregramento. Mas seria ilógico que considerásseis esses fatos calamitosos e imprevistos, que vos citamos, como sendo os prólogos dos “fins de tempos” a que se referem as profecias, pois não passaram de acontecimentos locais e não de ordem planetária.

Pergunta: – Concordamos convosco, mas ficamos confusos ao pensar que fatos semelhantes, ocorrendo atualmente, devam indicar que “os tempos chegaram”. Se não fizeram provas, no passado, de serem acontecimentos profetizados, devem porventura ser assim considerados agora?

Ramatís: – As catástrofes de Sodoma, Gomorra e Babilônia – como já vos dissemos – foram acontecimentos de ordem local, porque os seus conteúdos psíquicos, deletérios, já ameaçavam perturbar os povos vizinhos, que não mereciam a saturação perniciosa do seu ambiente. No entanto, como já afirmara o próprio Jesus, os sucessos de “fins de tempos”, que vos citamos, seriam de caráter mundial; deverão atingir, portanto, todo o globo e toda a vossa humanidade. É certo que determinadas nações, embora participando ativamente dos acontecimentos profetizados e sofrendo prejuízos inerentes aos povos mais infelizes, não serão chamadas a provas tão acerbas.

Em um caso, é uma cidade (ou povo dissoluto) que fica impedida da continuidade nociva para com o resto do ambiente; em outro caso, é a humanidade terrícola que, desinteressada dos prejuízos futuros, deixa-se contaminar pelo magnetismo voluptuoso e agressivo, que já lhe satura toda a aura do orbe. A Terra terá de suportar, em condições ampliadas, as conseqüências já suportadas pelos agrupamentos licenciosos marcados pela Direção Divina. A medida que se sucederem os vossos anos, podereis verificar que os fatos trágicos, locais, irão se reproduzindo aos poucos em todas as latitudes terráqueas, na eclosão disciplinada da preliminar para o evento final dos “tempos chegados”.

Pergunta: – Por que motivo se descreve sempre essa “chegada dos tempos” profetizando-se um cortejo de dores, de desesperos e de calamidade? Os profetas primam em dar relevo, sempre, às situações dantescas, e isso parece criar certa morbidez em nossos espíritos já apreensivos. Que nos dizeis?

Ramatís: – A vossa pergunta lembra a providência do médico que finge ignorar a existência da gangrena do paciente, apenas para não assustá-lo… A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória – são os conceitos sobejamente provados no decorrer das vossas múltiplas encarnações. Como quereríeis colher morangos provenientes de sementes de espinheiro que lançásseis alhures, na invigilância espiritual? E por que motivo temeis esses acontecimentos e os considerais dantescos, a ponto de os qualificardes como morbidez profética, se vos bastaria a integração incondicional com o Evangelho de Jesus, para que vos imunizásseis contra os corretivos determinados pela Lei Suprema? Jesus foi muitíssimo claro, quando disse que no “fim dos tempos” seriam separados os lobos das ovelhas e o trigo do joio. Cumpre-vos escolher, pois, na figura empregada pelo Mestre, a posição que vos aprouver, na aproximação da hora profética!

Pergunta: – Supomos que muita gente poderá sofrer as conseqüências totais desses “fins de tempos”, sem que haja semeado tanto espinheiro! Não é assim?

Ramatís: – Não houve desleixo nem confusão na determinação das reencarnações a se realizarem no vosso orbe! Os espíritos que estão isentos da grande prova e livres da próxima seleção espiritual não foram mandados para a Terra, nem estão atuando em faixas vibratórias de baixa freqüência planetária, como a em que ainda vos situais. Sucede, também, que muitos de vós vos libertareis, em tempo, das provas acerbas, e outros serão transferidos para locais de menor perigo. Acresce, ainda, que os acontecimentos se processarão lentamente, como ocorre agora, tanto que apenas alguns estudiosos estão observando as primeiras anormalidades.

Pergunta: – Os profetas bíblicos terão indicado quais os espíritos que, pelo tipo psíquico, possam merecer o sofrimento predito para este século?

Ramatís: – Os espíritos atingidos pelas medidas seletivas da Lei do Progresso Espiritual são aqueles que João Evangelista indica claramente no livro do Apocalipse, capítulo 21, versículo 8: – “os tímidos, os incrédulos, os abomináveis, os homicidas, os sensuais, os feiticeiros, os idólatras, os mentirosos, cuja parte será no tanque ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte”. Deveis ter notado que as lendas infernais sempre designam o inferno como um local onde o enxofre sufoca e traz o odor característico de Satã. O profeta alude simbolicamente às condições angustiosas nos charcos repugnantes do Além, onde irão debater-se todos os que forem candidatos ao “ranger de dentes”. O apóstolo Paulo, em sua segunda epístola a Timóteo, capítulo 3, versículo 2, põe em relevo a angústia desses dias finais, quando adverte: “… nos últimos dias sobrevirão tempos perigosos” e, na segunda epístola aos Tessalonicenses, capítulo 2, versículo 11, diz: “para que sejam condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas assentiram à iniqüidade”.

Mensagens do Astral (Hercílio Maes, pelo espírito Ramatís – 1956)

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